O trabalho intermitente vem ganhando espaço no mercado brasileiro e pode crescer ainda mais caso a proposta de adoção da escala 5×2 avance. A modalidade permite que o profissional seja convocado para trabalhar em dias ou horários específicos, mantendo vínculo formal e recebendo direitos proporcionais ao período trabalhado.
Criado pela reforma trabalhista de 2017, o trabalho intermitente voltou ao centro das discussões diante das mudanças que podem ocorrer na jornada de trabalho. Para muitas empresas, o modelo representa uma alternativa para equilibrar custos sem abrir mão da contratação formal.
Trabalho intermitente registra crescimento no Brasil
Dados do FGV/Ibre mostram que havia 109,2 mil trabalhadores contratados nessa modalidade nos 12 meses encerrados em março de 2026. O número representa crescimento de 17,3% em comparação com o período anterior.
Ao mesmo tempo, o trabalho intermitente respondeu por 8,9% do saldo de empregos formais gerados no país. O levantamento também aponta que a participação dessa modalidade praticamente dobrou desde sua criação, passando de 1,6% para 3,5% das vagas com carteira assinada.
Esse avanço acompanha a busca das empresas por modelos mais flexíveis. Caso a escala 5×2 substitua a jornada 6×1 em diversos setores, especialistas acreditam que esse tipo de contrato poderá se tornar ainda mais frequente.
Setor de Serviços lidera as contratações
Grande parte das vagas está concentrada no setor de Serviços. Segundo o estudo, são quase 80 mil trabalhadores intermitentes nessa área, o equivalente a cerca de 75% do total.
Isso acontece porque restaurantes, bares, empresas de alimentação, limpeza e eventos costumam enfrentar períodos de maior movimento em determinados dias da semana. Dessa forma, conseguem reforçar as equipes apenas quando a demanda aumenta. Entretanto, Comércio, Construção Civil e Indústria também utilizam o modelo, embora em menor escala.
Como funciona esse tipo de contrato?
No trabalho intermitente, o empregado possui carteira assinada, mas presta serviços apenas quando é convocado pelo empregador. Após aceitar a convocação, ele trabalha pelo período combinado e recebe o pagamento correspondente.
O valor inclui salário, férias proporcionais, 13º salário, descanso semanal remunerado e FGTS. Além disso, o trabalhador mantém os direitos previstos na legislação trabalhista durante o vínculo.
Por outro lado, não existe garantia de uma quantidade mínima de horas ou dias de trabalho ao longo do mês. Sendo assim, a renda pode variar conforme a quantidade de convocações.
Perfil dos trabalhadores intermitentes
O levantamento mostra que o perfil predominante é formado por homens entre 18 e 24 anos, com ensino médio completo ou superior incompleto.
Esse cenário, porém, começa a mudar. Nos últimos anos, aumentou a participação de profissionais com mais de 40 anos, que já representam cerca de 30% dos contratos. Em muitos casos, esse público busca complementar a renda ou retornar ao mercado por meio de jornadas mais flexíveis.
Modalidade pode ganhar ainda mais espaço
Embora o debate sobre a escala 5×2 ainda esteja em andamento, muitas empresas acompanham as discussões de perto. Afinal, mudanças na jornada tradicional podem estimular novas formas de organização do trabalho.
Nesse contexto, o trabalho intermitente surge como uma alternativa para setores que enfrentam variações de demanda ao longo da semana. Ao mesmo tempo, especialistas destacam que o crescimento da modalidade reforça a necessidade de equilibrar flexibilidade para as empresas com segurança e previsibilidade para os trabalhadores.





