Cursos gratuitos capacitam para o setor de Confecção

Claudinei Nascimento

, Cursos & Educação

Iniciativas estimulam que profissionais empreendam no segmento, que tem passado por profundas transformações.

 

Cerca de 80% de toda a indústria têxtil brasileira é voltada para a confecção de peças de vestuário, cama, mesa e banho, além de acessórios como meias e lingeries. Com a chegada de produtos chineses no mercado há alguns anos, o setor passou por grande transformação e profissionais, diante deste novo cenário, precisam adotar um novo perfil, adaptando-se, por exemplo, às novas tecnologias que agilizam o processo de criação, ou então buscando diferenciais, como a confecção de peças artesanais. 

Neste sentido, vale a pena conferir algumas iniciativas de qualificação profissional para quem já trabalha ou quer atuar neste segmento, que tem no empreendedorismo uma forte característica. Um deles é o projeto Costureiras Empreendedoras (telefone 11 2393-7300), criado em 2015 pelo Instituto Porto Seguro, com o objetivo de qualificar profissionalmente, liderar atividades de geração de renda e formar empreendedoras na área de costura industrial. 

Aliando teoria e prática, elas têm a oportunidade de gerar novas ideias e, a partir do conhecimento adquirido, transformá-las em produtos e serviços. O programa permite que as pessoas qualificadas trabalhem em suas casas como microempreendedoras individuais, formem grupos produtivos e ainda sejam encaminhadas para o mercado de trabalho. 

O curso tem duas etapas: Formação Técnica em Costura Industrial (200 horas) e  Incubação (oito meses). Nesta última fase, os alunos têm condições de aprimorar o trabalho de costura e utilizar a infraestrutura do Instituto Porto Seguro, para gerar renda. 

 

Participantes do projeto realizado pela Funsai confeccionam produtos

Melhores condições

Outro projeto que surge com o objetivo de dar melhores condições de vida a quem atua no segmento, por meio da qualificação profissional, é o “Famílias Empreendedoras em Moda”, promovido pela Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga (Funsai) desde 2011. Ele é dirigido para quem tem entre 18 e 59 anos e necessidade de gerar ou complementar a renda familiar. Outros requisitos envolvem noções de como confeccionar peças artesanais ou acessórios, disponibilidade para se dedicar às atividades semanais do projeto e ter desejo de se tornar empreendedor.  

É o que já acontece com Miriam Aguilar, Roseli Mendes Ogawa e Rosana Penha Marcomini Pereira. Elas já tinham familiaridade com o segmento, mas o projeto as ajudou bastante a criar seus portfólios, a apresentar e vender os próprios produtos. 

Para facilitar este caminho, o projeto conta com espaço qualificado para produção, loja para exposição dos produtos, promove qualificação em gestão de negócios e oferece apoio ao desenvolvimento do potencial criativo. Luisa Helena Alves da Silva, uma das voluntárias do projeto, tem ajudado os participantes na elaboração de um plano de negócios, que envolve diferenciais competitivos, como a construção da própria marca.  

Neste ano, segundo a coordenadora do projeto, Suellen Schmidt, a intenção é agregar ainda mais valor ao projeto por meio de oficinas mensais, que abordarão temas como a inclusão digital, marketing, moda inclusiva, venda e exposição de produtos. “Também temos participado de diversos eventos ligados à moda e ao artesanato, o que dá visibilidade ao nosso trabalho”, diz.  

O projeto “Famílias Empreendedoras em Moda” está com inscrições abertas para novos participantes. O primeiro passo é demonstrar interesse por meio de formulário disponível no site www.funsai.org.br/fem. Em etapas seguintes, os participantes passam por entrevista individual, apresentam seus trabalhos e confeccionam um produto, como teste prático. Mais informações na Rua Dom Luiz Lasagna, 291, Ipiranga, São Paulo/SP ou pelo telefone (11) 2063-4668.  

 

Bons olhos 

Diretor comercial da LCA Uniformes, Paulo Cesar Amaro vê com bons olhos estas iniciativas. Isso porque, apesar de o segmento dispor de muitas vagas, especialmente para costureiras, muitas oportunidades não são preenchidas por falta de qualificação profissional, mesmo sendo uma profissão rentável. Um dos motivos, segundo ele, está associado realmente às inovações tecnológicas. “Hoje, muitas máquinas são eletrônicas e cerca de 70% das profissionais que chegam a nós não sabem manuseá-las”, diz.  

Este cenário tem exigido que as empresas capacitem seus próprios colaboradores. Amaro observa ainda que muitos profissionais do setor estão se aposentando e não há estímulo para que novas gerações assumam esses postos de trabalho, que são essenciais para toda a cadeia têxtil. “Quem sabe dar uma nova denominação ao termo costureira possa trazer mais glamour aos profissionais do segmento”, opina o diretor comercial.

 


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