Mais de 38 milhões de trabalhadores estão na informalidade

Claudinei Nascimento

, Empregos

Número de trabalhadores nesta modalidade equivale a 41,1% de toda a população ocupada, de acordo com dados do IBGE.

 

Trabalhadores informais em centro de comércio popular, no bairro da Lapa, zona oeste da Capital

Cada vez mais a informalidade ganha espaço no mercado de trabalho brasileiro. No final de 2019, eram 38,4 milhões de pessoas atuando dessa forma, o que equivale a 41,1% de toda a população ocupada. 

Entende-se por informalidade a soma dos trabalhadores sem carteira assinada, empregador sem CNPJ, profissionais que trabalham por conta própria sem CNPJ e o trabalhador familiar auxiliar (profissional que atua, por exemplo, em um negócio da própria família).

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam que se trata do maior contingente de trabalhadores na informalidade desde 2016. “Em relação a 2018, houve um aumento de 0,3 ponto percentual, o que significou o acréscimo de um milhão de pessoas”, afirma a analista do IBGE, Adriana Beringuy.
São pessoas como Wesley da Silva Faustino, 28 anos, que vende roupas em uma banca na Rua Doze de Outubro, bairro da Lapa, zona oeste da Capital, conhecida pelo forte comércio popular.

Ele está no ponto há cerca de um ano. Antes, tinha registro em carteira como ajudante de carga e descarga, onde ganhava um salário mínimo mais remuneração por produtividade. “Aí, veio a crise e o serviço ficou pouco”, diz ele, que viu na oportunidade informal a saída para continuar pagando o aluguel de uma casa onde mora sozinho, também no bairro da Lapa, além de algumas despesas com a filha de quatro anos.

Entretanto, Faustino torce para que o trabalho informal seja transitório e diz que não pensaria duas vezes em trocar a atual posição por um emprego com carteira assinada, mesmo que a remuneração fosse menor. “O registro traz uma maior segurança”, comenta.

Ao lado de Faustino, trabalha Mônica da Silva, 33 anos. Ela  vende lingeries  há poucos meses e assumiu a banca em uma situação delicada, por conta do falecimento do irmão, antigo dono. A partir daí, para manter o negócio familiar (a mãe também já trabalhou no local), ela se viu obrigada a dividir as tarefas do trabalho na banca com os serviços de cabeleireira, função que exerce há cerca de 10 anos. “A gente se vira como pode”, diz.

Mônica, porém, vê algumas vantagens no trabalho informal, além da geração de renda para compor o orçamento da casa. “Os horários de montagem e desmontagem das barracas são flexíveis e possibilitam que eu leve minha mãe ao médico, sem a necessidade de dar explicações”, exemplifica ela, que mora em Santo Amaro e atravessa diariamente a cidade em busca de seu ganha-pão. 
 


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