Compartilhar o carro gera renda?

Kazuhiro Kurita

, Empregos

Com a crise econômica, o compartilhamento de carro pode ser uma boa opção para encarar o desemprego ou até mesmo para compensar a perda salarial, como faz a profissional de Marketing Digital Mariana Casteluci.

Quem perdeu o emprego ou precisa de uma renda extra, a opção deixar o carro na garagem pode ter um custo significativo. Afinal, mesmo parado ele dá despesas com IPVA e seguro. Isso sem contar com as revisões obrigatórias e a sua natural desvalorização. Se for financiado, o problema pode ser ainda maior.

Até pouco tempo atrás, a solução talvez fosse simplesmente vender o veículo para se livrar de tanta despesa. Hoje, porém, existe a possibilidade de fazer dinheiro com ele por meio de compartilhamento pessoa a pessoa. É o que tem feito Mariana Casteluci, que entrou no aplicativo MoObie em outubro.

Pouco antes, Mariana havia trocado de emprego e passou a ganhar um pouco menos. “Saí do antigo trabalho pela instabilidade e acabei aceitando outro com todas as garantias, mas com salário menor. Como meu carro é financiado e tenho planos de viajar no ano que vem, preciso juntar dinheiro”, explica.

No início, Mariana pensou em vender o carro para se livrar das despesas com ele e ainda ter uma reserva, mas sua namorada falou sobre a plataforma de compartilhamento. Ela entrou e gostou do que viu. No entanto, havia uma barreira a superar. “Por influência do meu pai, tinha muito apego ao carro. Agora, já consigo enxergá-lo como um passivo financeiro, que pode gerar renda”, afirma ela, que chegou a dirigir para aplicativos de transporte. “Desisti porque não tinha qualidade de vida e vivia estressada por conta dos congestionamentos”, afirma.

Para Mariana, a opção pelo compartilhamento deu supercerto. Logo no primeiro mês, o aluguel do carro rendeu R$ 400,00. Atualmente, recebe cerca de R$ 1.000,00 mensais. É claro que para isso cobra um preço acessível e disponibiliza o veículo todos os dias, inclusive nos finais de semana e feriados, quando a demanda é maior.

Quem também oferece esta flexibilidade é Diogo Arakawa, que fatura uma média de R$ 900,00 mensais. Sua motivação, porém, é outra. Seu trabalho com tecnologia permite que atue em casa. Além disso, influenciado por novos cenários de mobilidade urbana, passou a olhar o carro como um serviço não como um bem. Assim, começou a levar em consideração as finanças pessoais. “De todos os meus investimentos, só o carro andava para trás, por conta da depreciação, do IPVA, das revisões obrigatórias e do seguro. Passei a considerar a possibilidade de vendê-lo e utilizar as diversas formas de mobilidade que se apresentam hoje, mas eu preciso dele em algumas ocasiões, como manter o hobby em marcenaria, quando preciso transportar alguns equipamentos”, diz. Diogo entrou no MoObie em abril e foi seguido pelo pai, que tinha um apego muito forte. “Ele não deixava ninguém dirigir seu carro, mas agora acha legal poder interagir com as pessoas que alugam o veículo”, conta. Com relação à remuneração, ele diz que o mercado é quem rege. “Temos a liberdade de fixar o preço. Por exemplo, comecei com R$ 165,00 por dia e agora cobro R$ 120,00”, diz ele, acrescentando que prefere ter mais compartilhamento a cobrar um preço mais alto.

Para Tamy Lin, fundadora da MoObie, Mariana e Diogo ilustram bem a proposta do aplicativo, incluindo também alguns desempregados que têm no compartilhamento de carro sua única fonte de renda.

“Hoje, com a evolução das múltiplas opções de mobilidade, que não era realidade há alguns anos, as pessoas têm alternativas para ficar sem carro ou usá-lo com mais racionalidade. Então, tem uma parcela que adere ao nosso aplicativo pela causa, mas a maioria é para gerar uma renda extra com o carro parado”, sinaliza.

Tamy justifica o sucesso da MoObie à sua experiência de 20 anos no mundo corporativo, onde o profissionalismo e seriedade do negócio têm um peso grande, aliada à inquietação e busca de um propósito. Além disso, fez questão de ter um desenvolvedor e um designer em sua equipe de 30 pessoas, o que permite solidez no aplicativo e nas operações. Estes cuidados fazem com que a plataforma tenha hoje cerca de sete mil carros para compartilhamento e 200 mil usuários cadastrados no País.


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