A busca por cursos de costura voltou a crescer no Brasil. A atividade, antes associada apenas ao ambiente doméstico ou à indústria têxtil, passou a despertar o interesse de pessoas que buscam renda extra, qualificação profissional ou até um novo negócio.
Dados da escola Sigbol mostram que a procura por formação na área aumentou 55% no primeiro bimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Dessa forma, o movimento indica que habilidades manuais voltam a ganhar espaço no mercado de trabalho.
Segundo Aluízio de Freitas, diretor da instituição, o interesse reflete uma mudança na forma como as pessoas enxergam profissões tradicionais.
“Durante muito tempo, a costura foi vista apenas como uma habilidade doméstica ou ligada a gerações mais antigas. Hoje vemos um movimento inverso: pessoas de diferentes idades procurando formação técnica para transformar essa habilidade em fonte de renda, profissão ou até negócio próprio”, afirma.
Formação prática abre portas no mercado
Entre os cursos de costura mais procurados, o de corte e costura básico lidera com 35% das matrículas. Em seguida aparecem ajustes e reformas, com 19%. A área cresce com a demanda por customização de roupas e serviços rápidos. Na sequência estão os cursos de costura e acabamento (8%), malharia (7%) e desenho de moda e estilo (5%).
Esse interesse também reflete mudanças no consumo de moda. Afinal, muitos clientes buscam roupas personalizadas ou adaptadas, o que aumenta a demanda por profissionais que realizam ajustes e pequenas reformas.
“A valorização do feito à mão, da personalização e da sustentabilidade fez com que muitas pessoas voltassem a olhar para a costura como uma habilidade extremamente relevante”, explica Aluízio.
Jovens e profissionais maduros voltam a estudar
O levantamento também mostra que a procura pelos cursos de costura reúne perfis diferentes de alunos. A maior parte dos estudantes tem entre 19 e 35 anos, faixa que representa 31% das matrículas.
Esse grupo busca novas habilidades ou alternativas de renda. Logo depois aparecem pessoas entre 46 e 59 anos, com 23%. Muitos desses alunos procuram reinvenção profissional ou novos projetos de trabalho.
Há ainda estudantes mais jovens e mais experientes. Cerca de 10% têm entre 11 e 18 anos, enquanto 15% possuem mais de 60 anos.
Setor ainda precisa de profissionais
Apesar do crescimento da procura por formação, o setor têxtil ainda enfrenta falta de mão de obra qualificada. O Brasil possui uma das maiores cadeias produtivas de moda do mundo, mas muitas empresas têm dificuldade para encontrar profissionais capacitados.
Nesse cenário, os cursos de costura ganham importância para quem deseja iniciar uma carreira ou abrir um pequeno negócio. Quem domina a técnica pode prestar serviços, trabalhar na indústria ou desenvolver peças próprias.
“A costura nunca deixou de existir. O que mudou foi a forma como ela passou a ser vista: hoje ela é também uma ferramenta de autonomia, criatividade e geração de renda”, conclui o diretor.
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