Como as micro e pequenas devem agir na crise

Claudinei Nascimento

, Negócios

Pesquisa do Sebrae mostra que preocupação entre empresários, mas ações são necessárias, para evitar a paralisia.

 

O surgimento do coronavírus é uma ameaça para a saúde financeira de micros e pequenas empresas. Pesquisa realizada pelo Sebrae-SP mostra que seis entre dez empreendedores estão “muito preocupados” com o vírus e 83% acreditam que a pandemia vai afetar a sua empresa. 

Porém, as dificuldades não podem se tornar paralisantes. A prioridade é buscar alternativas para minimizar o impacto nos pequenos negócios, que hoje respondem por 49% dos empregos e 27% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Para o diretor-superintendente do Sebrae/SP, Wilson Poit, empreendedores devem investir na presença digital de seus negócios, oferecendo venda on-line e entrega em domicílio, se o segmento permitir. “O melhor é se adequar ao delivery do que deixar de vender, assim como encontrar uma plataforma na internet para oferecer seus produtos”, diz.  

Para o mentor de pequenas e médias empresas, Marcus Marques, mesmo microempreendedores individuais, que não têm possibilidade de oferecer o seu serviço pela modalidade on-line, podem tomar algumas ações que contribuam para não disseminar ainda mais o vírus, como a realização de suas atividades fora do horário de pico, quando há maior aglomeração de pessoas.  

Marcus Marques, mentor de pequenas e médias empresas

Para Marques, a economia passa por um choque transitório, mas o pânico leva à tomada de decisões ruins. “É preciso negociar com fornecedores, cortar custos, mudar as estratégias de venda e ser criativo para não sucumbir, além de buscar soluções com ajuda dos próprios funcionários.” 

Marques entende  que o ideal é o isolamento, por meio do trabalho home office, mas nos casos em que a situação não é possível, as empresas devem contribuir com outras medidas, como vender produtos e serviços por telefone, deixar espaçamento entre as mesas dos colaboradores, pedir para que os funcionários não se cumprimentem, adiem viagem de negócios e substituam reuniões presenciais por virtuais. “Tudo isso, além da higienização de ambientes, que deve ser reforçada em quadro de avisos e comunicados”, diz.
O mentor também apoia a ideia de que os consumidores comprem das pequenas empresas, pois a pandemia deve durar no mínimo dois meses, tempo suficiente para quebrar um negócio. A propósito, a recomendação de comprar em petshops, mercearias e lanchonetes tem sido bastante compartilhada via WhatsApp. “Para a economia, é melhor que as pequenas sobrevivam e 30% das multinacionais tenham prejuízo, do que 30% das pequenas morram. Ajudá-las neste momento é uma decisão inteligente para o bem-estar de todo o país.” 

 


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