Nó em pingo d’água

Especialista explica os impactos econômicos em uma empresa que opta por projetos sustentáveis

 Cesar Argentieri Ferreira - engenheiro ambiental
Cesar Argentieri Ferreira – engenheiro ambiental

Apesar da crise hídrica estar sob controle em alguns estados, em outros ela se aprofunda e as empresas terão que criar alternativas para não correr o risco de ter suas produções paralisadas por falta de água. Para desatar este nó, as corporações podem adotar algumas medidas de sustentabilidade e incorporar esta filosofia não só em época de seca, mas eternizá-la em sua cultura.

O primeiro passo é conscientizar os funcionários, por meio de palestras, fóruns e debates, sobre a importância da economia de água, não apenas na empresa, como fora dela. Aliada a tal ação, deve também promover a troca de instalações hidráulicas antigas por novas, com colocação de torneiras com redutores de vazão, arejadores, válvulas de descarga com duplo acionamento e a troca de tubulações para evitar vazamentos, entre outras ações.

Estas providências resultam em investimentos relativamente baixos, não mexem tanto na infraestrutura e mostram que a empresa está fazendo sua parte, o que pode motivar o engajamento dos colaboradores”, afirma Cesar Argentieri Ferreira, engenheiro ambiental. A diminuição do consumo de água não visa apenas sustentabilidade, embora seja fundamental para o futuro, mas também lucros em curto e médio prazo. O segundo passo é o aproveitamento da água pluvial. As grandes corporações possuem uma razoável área de captação, ou seja, conseguem gerar um volume enorme de água para resfriamento de caldeiras e lavagem de peças, itens que necessariamente não serão incorporados ao produto final.

Ferreira diz que não é preciso investimento alto para aproveitar as chuvas e armazenar a água, que tem um tratamento simples ou, dependendo de sua utilização, nem precisa ser tratada. “Como tudo é externo, desde a captação até a montagem de uma cisterna, o custo-benefício vale a pena, apesar dos transtornos que toda obra acarreta. O retorno do investimento é de, no máximo, dois anos”, garante.

Também existe a possibilidade de reúso do esgoto bruto, com tratamento adequado, cujo conceito ainda não está muito difundido no Brasil. Tudo que uma empresa gera de esgoto por meio de descargas, limpeza, caldeira e torres de resfriamento é possível retornar à própria instituição. O tratamento de esgoto é mais direcionado e exige investimentos maiores, equipamentos mais sofisticados, manutenção e parâmetro de qualidade.

Estas medidas, além da economia, também agregam valor à imagem da corporação. “A crise serve para que o conceito de empresa amiga da natureza se intensifique ainda mais. O marketing sobre sustentabilidade pode dar mais retorno que a própria economia. Talvez seja o caso de até criar um selo para identificar empresas que se preocupem com a eficiência do consumo de água”, sugere o engenheiro ambiental.

Para Ferreira, é importante a empresa adotar um discurso que esteja em conformidade com as ações. “Com isso, a corporação pode desenvolver uma campanha de economia junto aos consumidores e à comunidade do entorno. É uma maneira de valorizar a marca”, finaliza.


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