Mães procuram opções de trabalho

Kazuhiro Kurita

, Diversidade

Conciliar maternidade e emprego não é fácil para as mães, porque elas ainda sofrem resistência por parte dos empregadores e querem dedicar mais tempo aos filhos. A alternativa é repensar a carreira ou optar pelo empreendedorismo, como fez a coach Gabriela Bavay.

Muitas empresas ainda mantêm a ideia de que as profissionais mães são menos produtivas quando comparadas a alguém sem filho. Isto, porém, é contestado por estudos da Royal Holloway, universidade inglesa que se dedica à pesquisa pública. Segundo ela, durante a gestação, as mães têm um aumento das atividades do lado direito do cérebro, o que significa melhora em suas habilidades cognitivas, como criatividade, controle de emoções e relacionamento interpessoal. Ainda assim, as candidatas que são mães possuem as chances de contratação reduzidas em 37%, segundo publicação do American Journal of Sociology.

Quando o assunto é retorno ao trabalho, o desafio costuma ser ainda maior, onde cerca de 22% das mães não conseguem voltar ao emprego. “Enquanto os pais quase nunca se afastam do serviço e retomam a carreira em menos de seis meses, o retorno profissional das mulheres leva em média três anos”, esclarece Astrid Vieira, consultora de carreiras da Leaders-HR Consultantes.

O preconceito contra as mães também é uma das formas de discriminação contra a mulher. De acordo com a advogada trabalhista e professora universitária Maria Inês Vasconcelos, ainda que não seja uma classe trabalhadora reconhecida, marginalizar uma mulher por conta da gravidez é uma forma de distinção de gênero. “O preconceito assumido por causa das necessidades maternais que elas têm de suprir é uma forma de discriminação. Por isso, três em cada sete mulheres sentem medo de perder seu emprego e 56% enxergam dificuldades no sucesso profissional se tiverem filhos”, informa.

Para a advogada, as empresas não são muito parceiras das mães. Mesmo que obedeçam ao mínimo legal e cumpram as normas que as protegem, não facilitam e ainda discriminam a mulher. “De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 50% das mulheres são demitidas até dois anos após a licença maternidade, por exemplo”, cita.

Para Maria Inês Vasconcelos, as empresas ainda têm preconceito contra mulheres com filhos.

Segundo Maria Inês, é evidente que existe uma pressão, ainda que disfarçada, contra a natalidade. “A justificativa é que não é lucrativo arcar com os custos da licença-maternidade, que exige uma reposição da funcionária, assim como liberá-la de sua jornada regular, que fica encurtada para amamentação. Agregue-se a isso o mito de que a mulher pode perder o ritmo, sair da cadência e até se desatualizar quando se torna mãe. Puro preconceito. A maternidade não impede reciclagem e tampouco emburrece”, afirma.

Empreendedorismo

Para quem enfrenta barreiras na volta ao emprego ou quer se dedicar mais ao bebê, uma opção é dar uma guinada na carreira ou começar a empreender, como fez Gabriela Bavay.Depois de quatro anos trabalhando na coordenadoria de treinamento e desenvolvimento no RH de uma grande rede de varejo, ela resolveu engravidar. Afinal, já estava com 31 anos e estava estabilizada emocional e profissionalmente, embora ainda almejasse crescer na empresa, com uma mudança de área, ou quem sabe uma outra

oportunidade no mercado para deslanchar na carreira em um cargo de gestão ou coordenação.

No final da gestação, Gabriela descobriu que sua gravidez era de risco e por conta disso teve que sair de licença até o nascimento de sua filha. Passado o período de licença-maternidade, ela não retornou ao trabalho. “Minha filha nasceu muito prematura e ficou internada na UTI pré-natal mais de 40 dias e precisava de cuidados especiais e eu não queria deixá-la em uma creche o dia inteiro ou com uma babá”, conta.

Passados sete meses, quando a filha começou apresentar sinais de que estava se desenvolvendo bem, bateu a vontade de trabalhar de novo, mas no seu próprio negócio. Ela já tinha formação de coach e uns dois anos antes de engravidar já dava alguns workshops sobre produtividade alinhada com o ciclo da mulher. “Eu queria juntar isso de alguma maneira, mas não sabia muito bem como. E o curso de empreendedorismo foi importante para eu casar meu propósito com minha realidade e o tanto de dinheiro que tinha para investir, que no meu caso era zero”, diz.

Para Gabriela, o empreendedorismo materno é portador de uma mensagem positiva. “Quero propiciar às mulheres um pouco de leveza, fazer com que se sintam mais livres e a aprenderem a usar a energia com mais inteligência. O empreendedorismo materno está sempre ligado a algum tipo de propósito, de transformação do mundo”, garante, feliz da vida.


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