Negócio com propósito social

ONGs oferecem capacitação  profissional e transmitem princípios básicos de empreendedorismo para populações menos favorecidas abrirem o próprio negócio.

 

Pesquisa  realizada pela Global Entrepreneurship Monitor – GEM mostra que cerca de 50 milhões de brasileiros possuem um negócio próprio. Neste cenário, chama atenção o trabalho de entidades do terceiro setor que têm oferecido capacitação profissional e princípios básicos de empreendedorismo para parcelas menos privilegiadas da população.  

É o caso da Gerando Falcões, cujo lema diz muito sobre o assunto: “Derrubar muros e construir pontes é o nosso jeito de diminuir a distância entre a periferia e as oportunidades”. Trata-se de uma organização social que atua em periferias e favelas, com projetos diversos, como o de qualificação profissional para jovens e adultos, funcionando como um motor de geração de renda para famílias.  

Kelvy Aparecido da Conceição faz design de sobrancelhas.

Dessa forma, a ONG tem ajudado a transformar a vida de pessoas, como Kelvy Aparecido da Conceição, 23 anos. O espírito empreendedor veio já aos 18 anos, quando trocou o emprego formal para se dedicar a um curso de Design de Sobrancelhas. Entre idas e vindas e o desejo de ter um negócio próprio, o jovem conheceu a Gerando Falcões em 2018. Fez os cursos gratuitos de Maquiagem e Fotografia e, hoje, é um dos monitores da instituição, ensinando sobre design de sobrancelhas para alunos de uma comunidade da Vila Prudente, onde mora. “Compartilhar conhecimentos com quem realmente precisa é muito gratificante”, diz. 

Conhecer a Gerando Falcões, para Kelvy, foi fundamental por reforçar o seu espírito empreendedor, mas também por desenvolver sua autoestima e a vontade de vencer. “Hoje, tenho uma sede de querer mais e mais. Antes pensava: tenho potencial e pode dar certo. Hoje, digo a mim mesmo que vai dar certo.”  

Nesta busca pelo aprendizado, Kelvy, que terminou o ensino médio, quer agora se aperfeiçoar no visagismo (estudo dos traços do rosto) e na maquiagem profissional. E brinca ao ser questionado sobre os motivos que o levam a investir na área da Beleza. “O mundo pode acabar, mas as pessoas não querem ficar feias.” 

Empreendedorismo social  

O empreendedorismo social está no radar também do Instituto Besouro, que incentiva a abertura de negócios próprios para minorias, como jovens em situação de vulnerabilidade, mulheres, negros e LGBTs 

O objetivo da instituição é promover programas e capacitações que conduzam os integrantes ao desenvolvimento de suas potencialidades, renda e sonhos, priorizando práticas inovadoras e respeitando as pluralidades sociais.  

ONGs ajudam empreendedores sociais, como Aline Os, a colocar suas ideias de negócio em prática. Ela abriu uma empresa de entregas, contratando mulheres e LGBTs.

O propósito da instituição atraiu o interesse de Aline Os, 43 anos. Formada em Artes Plásticas e Fotografia, com mestrado em Poéticas Visuais, em 2013, ela dava aulas esporádicas em uma faculdade e cultivava o sonho de ser mãe. O desejo de empreender veio mesmo por uma necessidade, após a separação conjugal em 2015, quando chegou a entrar em um quadro de depressão.  

Como tinha verdadeira paixão por pedalar e coordenava um grupo de ciclistas no Projeto Selim Cultural, em São Paulo, ela conheceu o Besouro por meio do “Bike Negócio”. Com as orientações adquiridas, ela criou o Señoritas Courier, um sistema de entrega de documentos e pequenas encomendas por bike, com um diferencial: ela emprega somente mulheres e LGBTs
A escolha por esses públicos se deu por conta da discriminação que sofrem na sociedade e, consequentemente, no ambiente de trabalho, mesmo quando ele se dá nas ruas, como é o caso das profissionais da Señoritas Courier. “Ainda há muito preconceito com a mulher e, neste segmento de entregas, não é diferente. É uma área muito machista e somos constantemente provocadas no trânsito”, lamenta.   

Agora, Aline traça uma nova rota para o seu negócio. Desenvolver um aplicativo que possa otimizar o tempo e permitir a prospecção de mais clientes para empresa. Ela sabe que precisará de um investidor para ajudá-la nesta etapa, mas faz uma ressalva. “Busco alguém que acredite em nosso propósito, que entenda este olhar para as minorias e compartilhe a nossa linguagem”, afirma. 


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