Planilha ajuda a controlar os gastos

Claudinei Nascimento

, Comportamento
Receitas e despesas devem ser controladas para evitar situações como a inadimplência, que atinge 20,5% das famílias na cidade de São Paulo 
 
 
Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que, no final de maio, a taxa de inadimplência das famílias que residem na cidade de São Paulo atingiu 20,5%, aumento de 1,35% em relação ao mesmo período do ano passado. Na prática, 804,3 mil famílias não honraram suas dívidas até a data do vencimento.
De acordo com Daniel Cavagnari, coordenador do curso de Gestão Financeira do Centro Universitário Internacional Uninter, o endividamento familiar tem várias origens, como a falta de planejamento, consumo exagerado ou ausência de renda por conta do desemprego. 
Para o especialista, existe uma cultura no Brasil que contribui para o acúmulo de dívidas, como o crédito fácil oferecido por agentes e instituições financeiras e a falta de hábito do consumidor em mensurar o valor do próprio dinheiro. “Isso significa saber quantas horas de trabalho são necessárias para a aquisição de um determinado produto ou serviço”, diz.
Por isso, evitar o endividamento ou sair da lista de endividados passa por uma mudança comportamental. Cavagnari cita, por exemplo, a importância de fazer mensalmente uma planilha financeira, com participação de todos os membros da família, inclusive os filhos menores. Nela, devem estar registrados os ganhos, mesmo os projetados para determinado período, e os gastos fixos e sazonais, como o IPTU, IPVA etc. “Esse diagnóstico  é fundamental para que sejam realizados os ajustes financeiros necessários”, afirma.  
Feita e controlada esta planilha, é preciso que o consumidor se eduque para o crédito consciente. Como exemplo, Cavagnari cita que mais de 70% das dívidas são contraídas por meio do cartão de crédito. “Saber usá-lo, sem comprometer a renda, é o ideal e o parcelamento deve ser evitado, pois os juros cobrados são altíssimos”, explica.

Daniel Cavagnari: planilha financeira é fundamental


Os pequenos gastos diários também devem ser revistos, como o preço de um cafezinho que parece pouco importante, mas que pode fazer uma diferença considerável no fim do mês. “Isso também vale para a compra de um objeto de baixo valor, mas que não entra na lista de bens essenciais.”
E, por fim e quando possível, a dica é fazer uma reserva de emergência, evitando, por exemplo, que uma situação de perda repentina de emprego resulte no endividamento. “Mudança de hábitos pode levar tempo, mas é necessária”,  justifica Cavagnari.


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