Qual é a melhor hora para se procurar um emprego?

Claudia Taulois

, Carreira

Não deixe sua batata assar! O melhor momento para se procurar emprego é estando empregado. Quem deixa para agir só na hora do desespero pode enfrentar grandes dificuldades, afinal o mercado está parado e há atualmente mais de 28 milhões de pessoas sem ocupação ou subutilizadas.

Mas quem realmente o faz da forma ideal?

O fato é que ir atrás de uma nova posição requer estratégia, dedicação e tempo. Assim, geralmente nos acomodamos em nossos cargos e posições por inúmeros motivos. Quando pensamos que 60% dos profissionais não estão felizes em sua atual ocupação, fica ainda mais estranho entender o porquê de só agirmos quando em uma situação de risco ou de necessidade. Talvez a psicologia possa nos dar mais respostas para esse comportamento, mas essa não é a proposta desse artigo.

A ideia aqui é despertarmos para essa necessidade para que possamos sair da inércia e viver sem medo, de acordo com o que nos move verdadeiramente. Quando estamos à frente planejando nossa vida de forma ativa, dificilmente somos pegos desprevenidos. Quem tem essa visão geralmente preocupa-se também em ter uma reserva financeira capaz de suportar momentos de crise, que são inerentes à nossa vontade e que podem acontecer com qualquer pessoa.

Além disso, tem a questão da remuneração salarial. Uma pessoa que está desempregada tem menos espaço de negociação do que o profissional que procura uma vaga estando empregado. Outro ponto interessante é que aquele que tem iniciativa e não se acomoda, está sempre atualizado com a transformação do mercado. A palavra de ordem é capacitação e esta precisa ser constante. O que funciona hoje não necessariamente servirá amanhã. O profissional ultra qualificado de ontem que era expert em um determinado assunto não será mais tão relevante se não tiver competências complementares.

Acima de tudo e de toda a revolução tecnológica, o mundo hoje pede pessoas com habilidades humanas. E esse é um grande progresso!

Demorou muito, mas finalmente descobriram que além de carne e osso temos também coração! O que deveria ser o princípio básico de tudo tem hoje um peso importante. As famosas soft skills são as aptidões mentais, sociais e emocionais. Portanto, está na moda ser educado, ético e relacionar-se bem com as pessoas.

Assim, tendo então mapeado as coisas importantes, é necessário ter muita vontade e determinação para exercer esse papel mais atuante. Esse processo tem três pilares fundamentais: emocional, organizacional e prático.

No emocional, confrontamos nossos medos e anseios. Muitas pessoas não conseguem dar o próximo passo justamente por não ter essa parte bem resolvida. Sem essa autoconfiança é complicado sair da inércia. Mas isso é fundamental, cedo ou tarde, é melhor que seja de forma preventiva e, não, quando o leite estiver derramado.

A primeira questão então que você precisa identificar é: O que te impede de agir e de tratar a sua carreira de forma estratégica? Não fuja desse confronto. É importante se conhecer e aceitar os defeitos que lhe impedem de seguir. Só assim será possível eliminar as amarras e crenças limitantes.

O próximo passo será mapear seus pontos fortes e fracos e investir nas competências que precisa adquirir. Enfrente os medos de uma vez por todas! Cuidar das questões emocionais lhe trará a confiança que será fundamental no seu processo de busca e nas entrevistas.

Uma vez equacionada a questão, devemos pensar em organizar a nossa vida para que esse processo se dê sem solavancos.

Alguns pontos de atenção: Ter um orçamento controlado, fazer reserva financeira, estudar e aprender novas habilidades e competências, mapear tudo que possa trazer tranquilidade para sua transição e investir em hobbies e coisas que lhe tragam prazer.

Nessa reciclagem será possível descobrir verdadeiras paixões que podem trazer muitas pistas sobre seu futuro profissional. Definir para onde quer seguir pode ser bem desafiador e, ao mesmo tempo, trazer grandes descobertas e felicidade.

É possível que a sua insatisfação no trabalho seja devido a sua atividade atual não lhe trazer satisfação pessoal. Portanto, nessa fase invista em: Cursos de reciclagem com foco pessoal e profissional; capacitação em temas gerais e ligados à área de atuação; atualização do CV e do perfil do LinkedIn, observando os padrões atuais. Ainda em relação ao LinkedIn, passe a seguir pessoas da área de interesse e interaja para aumentar as possibilidades de relacionamento; escreva artigos que mostrem sua expertise; faça networking, interaja, mostre interesse e contribua em debates e discussões que estejam no seu foco de atenção; ajude quem precisa; mostre gratidão sempre.

Essa é uma fase que nos exige bastante mas, se bem-feita, os bons frutos virão. Portanto, invista tempo e energia para que você sedimente bem a base daquilo que lhe sustentará não apenas financeiramente, mas emocionalmente também.

Pois bem, com tudo esclarecido é hora de definir o caminho. O que fazer? Nessa altura você já sabe o que quer. Mas precisa saber como chegar lá. É necessário ter um planejamento, bem como cercar-se de pessoas que lhe ajudem nessa tarefa — tanto para lhe apresentar em uma empresa como para lhe ajudar a estruturar a sua, ou ainda indicar a uma vaga de emprego.

Parcerias são fundamentais e se você solidificou e aumentou as suas durante a fase da organização, conseguirá seguir com mais segurança.

“Winter is coming”. A famosa frase de “Game of Thrones” estará sempre em nossa memória para nos lembrar que não podemos esmorecer. Mesmo com toda a lição de casa feita, ainda teremos desafios, fases de luta e insatisfações, porque assim é a vida. E ela será tão melhor ou pior quanto a nossa capacidade de antecipação aos tempos de vacas magras. Viveremos mais tempo e ter uma vida ativa que proporcione segurança e satisfação, são condições essenciais para a dignidade humana.

Sim, o inverno é inerente, mas podemos sobreviver a ele! Todas as questões aqui levantadas, sejam elas de ordem emocional, organizacional ou prática, podem e devem ser apoiadas por meio de um trabalho com especialistas, como psicólogos, coaches, consultores financeiros, jobhunters, advogados etc.

O mesmo raciocínio pode ser utilizado para quem deixou a batata assar e precisa encontrar uma nova ocupação sem estar empregado. A única diferença é que as condições são mais adversas quando da urgência. Não temos tanta margem para negociação e escolher com tranquilidade. Mas o ideal é que seguir esse mesmo raciocínio.

Portanto, que não haja inércia. A hora é agora e temos muito trabalho a ser feito!

#Estamosjuntos


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