Mulheres sofrem para chegar a chefe

Kazuhiro Kurita

, Carreira

Para Susana Falchi, a sugestão de cota para as mulheres não resolve a questão.

A taxa de ocupação do sexo feminino cresceu muito nos últimos anos, mas está longe do seu potencial, com 46% segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como se isto não bastasse, até 2015 quase 30 milhões de casas eram chefiadas pelas mulheres que, apesar de serem mais escolarizadas que os homens, têm um salário médio 25% inferior.

Segundo Susana Falchi, executiva da HSD Consultoria em RH, 60,9% dos cargos gerenciais públicos ou privados eram ocupados por homens em 2016 no Brasil. “Naquele ano, o rendimento médio mensal dos homens era de

R$ 2.306,00 e o das mulheres atingia R$ 1.764,00”, informa

Susana diz que a diferença é ainda maior entre os que possuem, ao menos, ensino superior. “É interessante notar que, além de estarem mais preparadas para cargos executivos, nos quais ganham menos, as mulheres também agregam valor às organizações ao apresentar menos riscos do que homens quando ocupam posições de comando”, defende.

Para ela, por causa da maternidade ou da sensibilidade mais aguçada, executivas são menos sujeitas a buscar resultados a qualquer custo, seja desumanizando pessoas ou praticando fraudes. “Pesquisa realizada pela HSD avaliou o perfil comportamental de 3.500 executivos de médias e grandes empresas entre 2014 e 2017 e verificou que um em cada três homens tem desvio de caráter. Já entre mulheres, a proporção cai para uma a cada oito”, revela.

Embora as características femininas mudem o perfil de gestão de empresas, as corporações ainda resistem em contratar mulheres para cargos importantes. Algumas iniciativas tentam reverter este quadro, como o Projeto de Lei 7179/2017, que prevê cotas para mulheres nos conselhos de empresas públicas e mistas.

Susana considera estas medidas como pouco efetivas. “O sistema de cotas não é necessário, basta que as mulheres sejam vistas como realmente são e se reconheça o quanto podem contribuir com as empresas”, avalia.

Para a executiva, a visão dos empresários é que deve mudar. “Mais do que impor a presença feminina por cotas, é preciso reconhecer suas características de liderança. As mulheres têm uma força enorme, são multitarefas por natureza, observadoras, têm facilidade para criar empatia, conseguem trazer seus valores para o seu processo decisório e buscam fazer o que é certo, dentro de uma perspectiva de retidão, talvez até porque são chamadas o tempo todo para serem exemplo”, finaliza.


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