Jovens são os mais afetados pelo desemprego

Kazuhiro Kurita

, Empregos

Levantamento do IPEA mostra uma diminuição de na ocupação para este grupo no trimestre passado.

O Brasil conta com 12,7 milhões de desocupados e eles têm ficado cada vez mais tempo nesta situação. Como se isto não bastasse, os jovens continuam sendo os mais prejudicados. Além de registrar uma retração de 1,3% na ocupação no trimestre móvel encerrado em janeiro, o grupo entre 18 e 24 anos possui menor probabilidade de ser contratado e tem maior chance de ser demitido. Os fatos constam na seção Mercado de Trabalho, da Carta de Conjuntura divulgada na quarta-feira, dia 20 de março, pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Os cálculos foram feitos a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, e do Indicador IPEA de Inflação por Faixa de Renda.

Depois de começar o ano de 2018 com sinais de vitalidade, o crescimento da população ocupada desacelerou. A análise do IPEA mostra que o mercado de trabalho não vem apresentando uma grande melhora e sua retomada ocorre, basicamente, nos setores informais da economia. Além disso, dos postos de trabalho formais, um em cada quatro empregos criados são contratos em tempo parcial ou intermitentes e o grupo dos desalentados e dos subocupados continua crescendo.

Essa lenta recuperação do mercado de trabalho vem gerando aumento no número de domicílios que declararam não possuir renda de trabalho e nas residências com remuneração muito baixa. O Brasil registrou cerca de 16 milhões de casas sem receita proveniente do trabalho no último trimestre de 2018, o que equivale a 22,2% das quase 72 milhões de residências no país. “Essas famílias até podem possuir outra renda, como aposentadoria ou vinda de programas sociais, mas nenhuma remuneração fruto do trabalho”, explica Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Grupo de Conjuntura do IPEA e coautora do estudo com os pesquisadores Carlos Henrique Leite Corseuil, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, e Sandro Sacchet de Carvalho.

A análise também aponta que o desemprego aumenta entre os menos escolarizados e só não foi mais acentuado por conta da diminuição da força de trabalho neste grupo. Por outro lado, a população ocupada com ensino médio e superior mantém uma trajetória de aceleração, com taxa superior à registrada na força de trabalho.

No último trimestre de 2018, entre todos os desocupados que conseguiram uma nova colocação, os segmentos com nível médio e superior foram os que apresentaram melhores desempenhos. Na outra ponta, a análise de ocupados que perderam seus empregos no mesmo trimestre revela que a única alta aconteceu na parcela dos trabalhadores com ensino fundamental incompleto.


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