A Copa e o impacto das bets no futuro do trabalho

10 de julho de 2026

Escrito por: Redação O Amarelinho

A Copa movimenta torcidas, reúne famílias e muda a rotina de milhões de brasileiros. No entanto, além da expectativa pelos jogos, outro fenômeno cresce a cada edição: o aumento das apostas esportivas. Nesse cenário, especialistas alertam que o impacto das bets vai muito além do entretenimento e já começa a influenciar a formação profissional de muitos jovens.

Segundo um levantamento da Creditas, em parceria com a Opinion Box, 56% dos brasileiros estão participando de bolões ou apostas durante o torneio. Entre os jovens, esse percentual sobe para 69%. Além disso, um em cada cinco entrevistados afirma que se endividaria para acompanhar a competição.

Para Rodrigo Santos, psicólogo e tutor educacional da Leapy, o problema está na forma como as apostas são apresentadas às novas gerações. “A pergunta que devemos fazer é: o que acontece quando o sonho do dinheiro fácil passa a ser vendido com a mesma intensidade de uma final de campeonato?”, questiona.

O impacto das bets na formação profissional

O impacto das bets também aparece quando o assunto é educação e qualificação. Dados da pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima, mostram que 25% das pessoas entre 16 e 28 anos utilizaram aplicativos de apostas no último ano. A Geração Z representa dois terços desse público.

Ao mesmo tempo, um levantamento da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior revelou que um terço dos jovens deixou de iniciar uma faculdade por causa de gastos com apostas. Entre estudantes das classes D e E, esse percentual chega a 43%.

Segundo Rodrigo Santos, essa situação pode comprometer o futuro profissional de milhares de pessoas. “Quando uma aposta tira o jovem da sala de aula ou do primeiro emprego, ela não drena apenas um orçamento já apertado; ela fecha uma das poucas portas de saída que ele tinha à frente”, afirma.

Empresas já percebem reflexos no ambiente de trabalho

Os efeitos do impacto das bets também começam a aparecer nas empresas. De acordo com uma pesquisa da Creditas realizada com mais de 400 gestores e profissionais de Recursos Humanos, 59% afirmam ter percebido queda de produtividade relacionada às apostas esportivas. Além disso, 21% apontam aumento da rotatividade de funcionários, enquanto mais da metade relata casos de dificuldades financeiras entre colaboradores.

Para o especialista, a preocupação não deve ser apenas financeira. “Não se trata apenas de uma questão social, mas de um problema que afeta diretamente os resultados das empresas”, destaca.

Educação financeira pode reduzir riscos

Diante desse cenário, Rodrigo Santos defende que organizações invistam em ações de educação financeira e orientação para jovens profissionais, especialmente aprendizes e estagiários. Segundo ele, o objetivo não é impedir que as pessoas apostem, mas oferecer ferramentas para decisões mais conscientes. “Reconhecer isso não cobra das empresas um papel de polícia, mas de formação”, explica.

Na avaliação do psicólogo, criar espaços para conversar sobre dinheiro, planejamento e carreira ajuda a mostrar que o crescimento profissional acontece de forma gradual. Assim, o impacto das bets pode ser reduzido por meio da informação e construção de perspectivas reais de desenvolvimento.

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