Denúncias de trabalho escravo aumentam 45% em São Paulo

3 de fevereiro de 2020

Escrito por: Claudinei Nascimento

Foram 150 casos no ano passado contra 103 registrados em 2018. Trabalhadores são enganados por falsas promessas.

 

O número de denúncias de prática de trabalho escravo aumentou 45% em São Paulo, Grande ABC e Baixada Santista no ano passado em relação a 2018. No total, foram 150 notificações contra 103 registradas no ano anterior. Os dados são do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP), por meio da Coordenadoria Regional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) em São Paulo. 

Já entre 2015 e 2019, foram 607 denúncias, 93 Termos de Ajustamento de Conduta assinados e 19 Ações Civis Públicas ajuizadas nas regiões que estão sob responsabilidade da Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região do MPT-SP. No mesmo período, somente na cidade de São Paulo foram resgatados 524 trabalhadores em situação análoga à de escravos, segundo dados do Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil.  

Os setores da economia onde são encontrados maior número de casos de trabalho análogo à escravidão nessas regiões são o da Indústria Têxtil/Confecção e Construção Civil. De acordo com a procuradora do trabalho no MPT-SP, Alline Pedrosa Oishi Delena, ainda há uma ideia de que o trabalho análogo à escravidão atinge somente regiões distantes do país, o que não é verdade. “Hoje, as condições degradantes e as jornadas abusivas estão em muitos centros urbanos, como São Paulo, e elas representam o trabalho análogo à escravidão”, diz.  

 

A procuradora do Ministério Público do Trabalho em São Paulo, Alline Pedrosa Oishi Delena

Alerta 

De acordo com Alline, há muitos brasileiros entre os trabalhadores que exercem atividade análoga à escravidão, mas também é forte a presença de profissionais de outros países, atraídos por promessas de uma vida melhor, como as filipinas entre as domésticas, bolivianos na Confecção e haitianos na Construção Civil.  

Para a procuradora, alguns indícios podem servir de alerta para que trabalhadores não se submetam a condições degradantes de trabalho. Por isso, ela cita algumas características comuns à situação. Entre elas, está o convite para trabalhar em outra cidade, estado ou país, com transporte e alimentação cedidos gratuitamente até que se comece a receber a remuneração. Outro indício é a retenção de documentos, antes mesmo da contratação efetivada. “Há várias maneiras utilizadas para seduzir o trabalhador”, alega Alline.
Porém, quando já está concretizada essa sedução, torna-se necessária a denúncia ao MPT. “Hoje, felizmente, temos uma fiscalização mais forte, com a participação de vários segmentos da sociedade”, finaliza a procuradora. 

 

Compartilhe esta notícia nas redes sociais

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Publicidade ba

Mais conteúdos sobre

Outros conteúdos que você pode gostar

NO AMARELINHO VOCÊ CONSEGUE CONTATO DIRETO COM O EMPREGADOR.

Últimas Notícias