Drogas tiram trabalhadores dos trilhos

Conheça como identificar e prevenir este problema que cresce anualmente

Valéria Rocha Brasil - psicóloga e diretora clínica do Instituto de Psicologia Rocha Brasil
Valéria Rocha Brasil – psicóloga e diretora clínica do Instituto de Psicologia Rocha Brasil

A questão do uso, abuso e dependência de drogas faz parte da realidade de todas as organizações sociais, isto é, famílias, escolas, empresas e a comunidade em geral. Assim, a responsabilidade de não negar e lidar com este fenômeno é de todos. Porém, para se efetivar ações eficazes, é necessário conhecer a extensão real das diversas populações em relação às drogas e o impacto do uso abusivo e dependência nas instituições públicas e privadas.

Segundo a psicóloga e diretora clínica do Instituto de Psicologia Rocha Brasil, Valéria Rocha Brasil, uma pesquisa realizada pela USP com estudantes universitários em 27 capitais brasileiras apresenta um panorama nacional preocupante, pois os resultados demonstraram que 89% dos universitários já usaram drogas na vida, sendo que 86% fizeram uso de álcool, 47% utilizaram tabaco e 50% usaram pelo menos uma droga ilícita. “O álcool e o tabaco são as drogas mais usadas. Cerca de 1,2 bilhão de pessoas são fumantes no mundo e estima-se que 90% dos adultos no Ocidente consumam bebidas alcoólicas”.

Considerando que estas pesquisas se basearam em uma população com faixa etária economicamente ativa, pode-se pressupor que o mundo corporativo faça parte de índices significativos relacionados ao uso de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas. Os últimos estudos mostram que, no Brasil, de 10% a 15% dos trabalhadores apresentam dependência ou problemas de abuso do álcool e o número de afastamentos do trabalho/auxílio doença em decorrência da dependência de múltiplas drogas e alcoolismo aumentou 67,3% e 19,6%, respectivamente. Diante deste quadro, Valéria destaca que é preciso considerar a importância do envolvimento das empresas nos programas de prevenção e tratamento do uso, abuso e dependência de drogas.

Para a psicóloga, cabe ressaltar que as consequências para as empresas podem ocorrer tanto pelo uso, abuso ou dependência de drogas por parte do colaborador quanto de um parente próximo, isto é, se um funcionário possui um membro da família que está envolvido com elas pode ter alterações emocionais de tal grandeza que prejudiquem o seu trabalho tanto quanto no caso de ser ele mesmo o usuário. “Isto nos faz pensar que os prejuízos para as organizações são maiores que os números apresentados nas pesquisas, pois elas não consideram os membros da família”, alerta.

Segundo Valéria, estudos mostram que o colaborador que abusa de drogas ou é dependente tem 3,6 vezes mais chances de causar acidentes no trabalho, apresenta 2,5 vezes mais possibilidade de faltar sem justificativa, utiliza-se três vezes mais dos seguros saúde, a sua produtividade cai 67%, é punido disciplinarmente sete vezes mais e é cinco vezes mais queixoso que trabalhadores sem tais diagnósticos. Pode-se acrescentar a esses dados um aumento no índice de afastamentos, aposentadorias precoces, desperdício de material devido à má qualidade da produção e interrupções constantes do trabalho no caso dos tabagistas, isto é, pelo menos 30 minutos de seu expediente é reservado para fumar.

Diante de tais dados, ficam claras as vantagens da implantação de programas de prevenção e tratamento do uso indevido de drogas nas empresas, ou seja, ações bem estruturadas conseguem reduzir significativamente os índices citados e aumentam a porcentagem de sucesso dos tratamentos, chegando a 70% de recuperação dos colaboradores. Ainda segundo Valéria, os programas de prevenção devem fazer parte de um contexto de qualidade de vida, garantindo ao funcionário o devido sigilo, a voluntariedade na adesão e a manutenção do emprego, respeitando a cultura e realidade de cada organização. “Além disso, são necessárias três etapas: a elaboração, a implantação e a manutenção. Isto significa que este tipo de projeto não pode ser uma célula à parte na empresa e muito menos ter vida curta. Desta maneira, as empresas, além de contribuírem para a melhoria dos seus próprios resultados no ambiente de trabalho, passam a fazer parte de uma grande rede social de apoio e transformação de histórias individuais e sociais”.

Como prevenir e tratar:

– Convencer lideranças com poder de decisão na empresa;

– Treinar a equipe de saúde e recursos humanos para a definição e homogeneização dos conceitos e visões;

– Elaborar uma política de ação;

– Definir os recursos de tratamento;

– Treinar gestores e lideranças;

– Divulgar a política e o programa como um todo;

– Promover ações de prevenção continuadas direcionada aos colaboradores e seus familiares;

– Implantar testagem de uso de drogas – ação direcionada a empresas específicas.

 


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